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Friday, 19 June 2015
o regresso a casa
Estou neste momento a caminho de Braga, o tempo passou a voar com o André. Só sei que falei imenso e ele tímido, só me deu ouvidos.
lá vou eu a Lisboa fazer mais um teste
Sai agora de casa para apanhar a camioneta para Braga, para depois apanhar o Comboio e o Alfa-pendular para Lisboa. Aproveito e ainda vejo o meu menino da capital. O André! Weee
Monday, 25 May 2015
o vaivém a Lisboa
Voltei a Lisboa, nem tive tempo de respirar, uma vez que andei num vaivém de viagens.
Em suma, estes dias em Lisboa deu para conhecer mais um pouco a cidade apesar de ter ido em trabalho e não em lazer. A greve do metro não me afectou em nada, deu para estar nos locais a hora marcada! E não usei o táxi para me movimentar dentro Lisboa. Andei muito a pé, e posso afirmar que estou encantado com a Capital.
17 de Maio (domingo)
Saio da terriola às 8:30 da manhã na Rede Expressos com destino a Sete Rios. Cheguei a Lisboa por volta das 15:00 e por lá fiquei a espera do meu guia privado, que se esticou no tempo. O calor era tanto que só me apetecia tomar banho e descansar as pernas. Estava com vontade de esganar o meu guia! (...)18 de Maio (segunda-feira)
Saio do apartamento do meu guia, e tenho que andar em todos os transportes possíveis e imaginários para chegar ao local do meeting. (...) Saio do Oriente às 16:09 no Alfa-pendular com destino a Viana do Castelo, para depois voltar a terriola. Já dentro do Alfa-pendular recebo uma chamada. Tinha que estar presente em Lisboa no dia a seguir e no próximo. Podiam ter avisado no meeting! Cheguei a casa por volta das 22:00. (...)19 de Maio (terça-feira)
Saio da terriola às 6:45 na camioneta em direcção a Braga. Cheguei a estação cheio de frio e com sono. Comprei o bilhete com escala na estação de Campanhã e com destino no Oriente. Durante o tempo que tive a espera na estação de Campanhã pelo Alfa-pendular, um casal do Brasil meteu conversa comigo. Estavam de lua-de-mel, e iam passar o resto do tempo em Lisboa. Estava imenso frio e o vento não ajudava por isso sentei-me ao pé do marido da recém-casada. Sempre cortava um pouco o vento, e dava para conversar sobre o tempo do Brasil. LOL (...) Depois do meeting, encontrei um enorme problema, os hotéis estava esgotados, cheios! Ficar no apartamento do meu guia, era possível, mas teria que acordar cedo, muito cedo para atravessar o rio. Restava-me encontrar um hotel com lugar exclusivo só para mim ou telefonar a um amigo/conhecido gay, todo ele barbudo, se seria possível ficar na casa dele. Optei pela primeira opção não fosse eu violado na segunda opção! LOL E corri a cidade toda a procura de um hotel. E a sorte esteve do meu lado. (...)20 de Maio (quarta-feira)
Saio do hotel e vou até ao local da empresa. Às 9:30 sou levado pelo meu manager para a outra ponta de Lisboa de Mercedes (modelo novo). Tenho uma paixão por pessoas que conduzem e utilizam o telemóvel ao mesmo tempo. Contudo não deixei de reparar que a Passcode do iPhone do meu manager é o "0000"! Como é que alguém falha tanto neste aspecto! LOL (...) Já de regresso ao centro o meu manager perguntou se não me importava de ficar no local da empresa. Eu respondi que não me importava e que assim a partir dali já seguia a minha viagem para o norte. Despedi-me e pus-me a caminho de Sete Rios para apanhar o autocarro das 13:00 com destino a Braga. (...)Em suma, estes dias em Lisboa deu para conhecer mais um pouco a cidade apesar de ter ido em trabalho e não em lazer. A greve do metro não me afectou em nada, deu para estar nos locais a hora marcada! E não usei o táxi para me movimentar dentro Lisboa. Andei muito a pé, e posso afirmar que estou encantado com a Capital.
Sunday, 26 April 2015
o meu (ex-)namorado
Conheci o meu ex-namorado através
das redes sociais. Estava eu na minha terra de férias a aproveitar os últimos
dias. Todos os dias à noite a gente conversava pelo Skype, e aí já simpatizava bastante com ele com a sua simplicidade e forma de ser. Na noite antes da minha partida,
trocamos de número. Com o início do novo ano lectivo, regressei a Covilhã,
cidade cinco estrelas.
Tinha saído às 7:00 de Braga com a Rede Expressos, e a minha chegada estava prevista para às 12:30. Durante a viagem enviei algumas mensagens, uma vez que o menino estava a trabalhar, não o quis atrapalhar. Era o último dia de trabalho em Coimbra, e ele à noite regressava ao Fundão pela N230, uma estrada cheia de curvas e muito perigosa.
Quando chego à Covilhã e sigo para a zona de táxis, aparece-me um homem de 30 anos (eu com 23), e vi que era o meu menino do Skype. Estava lá a minha espera. E eu não estava nada à espera dele. Mentiu-me! Tinha saído mais cedo do trabalho e pôs-se a caminho da Covilhã para estar comigo. Eu já tinha planeado o meu dia, para fazer o check-in na residência, arrumar o meu quarto e eventualmente estar com a menina Vânia. Que passa a vida inteira a dizer, para eu ir a Covilhã! Ainda hoje a conversa dela é a mesma. Voltando ao menino, pedi-lhe se me podia levar até as residências, para eu tratar da papelada e deixar lá a minha mala. E assim foi.
Fomos almoçar ao centro comercial e perguntou-me se eu tinha tempo para dar uma volta por Belmonte. Demos a volta por Belmonte, porque eu não consigo dizer não e gosto de passear. Conversamos todo o caminho e já ao fim da tarde ele deixou-me na residência.
Todos os dias ao fim das aulas ele vinha ter comigo, ora para conversar, ora para passear, ora para jantar fora. E com isto tive que começar a dar desculpas parvas a minha amiga Vânia. Pois ela gosta de estar comigo, gosta de falar, e gosta de fazer parvoíces! Então a minha desculpa foi dizer sempre que tinha o quarto para limpar, e está colou.
No dia do meu aniversário o meu ex-namorado convidou-me para um lanche. E ele sabia que tinha a tarde livre, que gosto de passear, e que a Serra da Estrela e as Aldeias Históricas de Portugal são a minha paixão. A viagem até ao Castelo de Sortelha foi mágica e acolhedora. Ele estacionou o carro com vista para a Serra e a Covilhã. E assim fiquei a conhecer uma de muitas aldeias históricas, elas todas tem o seu encanto, mas está foi a que me marcou mais. Montamos a tenda para o lanche no meio do campo, com uma vista inesquecível. Quando o sol se põe atrás da Serra da Estrela, ele lembra-se de me roubar um beijo. Eu nem estava à espera de tal atitude (ou então não sei ler os sinais!), pois estava a aproveitar o momento de um nova amizade que tinha feito há mais de um mês. Fiquei sem jeito, sem reação, sem palavras e arrepiado. Com o avançar da noite em Sortelha só dava para ver as estrelas e estar aos beijos. Ele lá me questionou se queria passar a noite na casa dele.
Chegamos a casa dele, e lá me esperava outra surpresa. Um jantar a luz das velas, tudo feito por ele na hora, eu só pude ver e aprender (eu que adoro cozinhar). Durante o jantar ele questionou o motivo de eu não beber vinho, e eu respondi que não gostava. Ao que ele me responde que com ele iria aprender a gostar de vinho e que iria ser o maior bêbado, isto num tom de brincadeira. E por lá continuamos a conversar e a jantar. Quando terminamos quis lavar a loiça, pois queria agradecer-lhe, e eu achei por bem também ajudar. Mas ele não me deixou, ajoelhou-se e pediu-me para deixar a loiça onde estava, pois ele tinha algo mais importante para fazer, do que estar a arrumar a loiça. Pedi-lhe para ele se por de pé, que não tinha que estar de joelhos, mas ele lá insistiu e prendeu o burro. Mal eu sabia que ele me iria pedir em namoro.
O tempo passou e com o pedido de namoro, mudei-me para o Fundão. Diariamente tinha 36 km a fazer entre o Fundão e a Covilhã, contudo os horários de transportes públicos não eram muito compatíveis com os meus! Ora tinha que acordar muito cedo, ora tinha que esperar horas pelo autocarro ou comboio. E muitas das vezes o meu ex-namorado tinha que me buscar a Covilhã. Como ele não usava o carro durante a semana, decidiu que eu o podia usar, e assim já teria a minha vida mais facilitada, e ele não me tinha que vir buscar sempre. Contudo eu impus uma condição, em que eu ajudava a pagar o gasóleo e os gastos do mesmo. As vezes ele enchia o depósito de prepósito, principalmente quando eu ia de fim-de-semana ao norte. Com as propinas e a residência (mantive o meu quarto, caso a relação não desse certo) a pagar, ele não me deixava pagar os gastos de casa. Então como ele não me deixava pagar, resolvi ajuda-lo nas tarefas domesticas, excepto cozinhar pois esse não é o meu ponto forte. O carro também esteve incluído nas minhas limpezas, todas as semanas o carro tomava banho, e uma vez por mês era limpo por dentro. Tenho imensas saudades do carro!
Com o tempo a minha amiga começou a desconfiar das minhas limpezas de quarto, o meu atraso a Universidade (eu que sou muito pontual), só faltava mesmo apanha-lha num cruzamento, rotunda ou passagem de peões, como chegou a acontecer imensas vezes. A minha sorte é que ela é cega, pois nas aulas só conseguia copiar as coisas do meu caderno. E com isto já não me sentia bem, estar-lhe a esconder o que se passava comigo. Decidi contar-lhe o que se passava, e o porquê da minha ausência ao fim das aulas. Assumi-me e ela ficou muito contente, por eu lhe ter confiado algo que só a mim me diz respeito. A partir daí a nossa relação de amizade fortaleceu-se imenso. E eu já não me ausentava tanto dela.
Os dias iam passando e cada vez estava mais apaixonado pelo meu ex-namorado. Comecei a beber vinho coisa que eu não gostava. Comecei a sair a noite coisa que eu não dou muita importância porque gosto estar mais em casa. Comecei a comer Sushi coisa que eu evitava há imenso tempo por ter medo de provar. E com isto também começaram as primeiras discussões porque eu sou teimoso e ciumento. Contudo acabava por dar sempre o braço a torcer. Mas odiava ouvir o telemóvel a tocar constantemente, quando ele recebia mensagens. E não, não era do trabalho!
Os fim-de-semanas e os feriados eram passados a viajar e a conhecer locais novos com o nosso novo hobby, o Geocaching. Tornou-se um vício para nós andarmos a procura de caixinhas com o GPS, pelo meio dos montes, das aldeias, das vilas e das cidades. E depressa passei este vício a minha amiga e respectivos colegas de curso. Mas alguns deles não entenderam o objectivo. E transformaram o Geocaching numa batalha, de quem consegue encontrar mais caixas.
Lembro-me de um dia ter telefonado bêbado para a Vânia, comecei-me a rir imenso que já não conseguia falar e passei o telemóvel ao meu ex-namorado. Ele lá lhe explicou o meu estado. E tudo por culpa de um desafio parvo que eu aceitei. Durante o jantar bebi uma garrafa de vinho branco, e como não chegava, a sobremesa ele serviu-me um copo cheio de vinho do Porto. Depois de ter entregado o meu telemóvel, sei que cai na cama a rir-me feito maluco e o meu ex-namorado a dizer para eu não fazer barulho por causa dos vizinhos. Acabei por adormecer, pois não estava a aguentar.
No dia a seguir acordei com um mau estar, com imensa sede, e com uma dor de cabeça enorme. O pior estava para vir, pois tinha aulas de manhã e não queria faltar. Arranjei-me e disse que estava tudo bem comigo. Segui o meu caminho até a Covilhã de carro, nem sei como, acho que foi mais o carro a guiar-me. Sentia-me tão mal. Foi ao bar da universidade para tomar o pequeno-almoço, mas a única coisa que consegui comer/beber foi água. Às 9:00 entramos para a sala, a Vânia só se ria com o meu estado, e eu só me queixava que não estava bem. E passamos a aula toda nisto, ela a rir-se e eu a reclamar. Saímos da primeira aula teórica para entramos na segunda e última aula do dia. Não aguentei e desisti, disse a Vânia que ia para casa e que ia faltar. Não tinha cabeça nem forças para estar lá, mas também não tinha forças para regressar ao Fundão naquele estado. Podia ter ficado na residência, mas eu fui teimoso, e segui para o Fundão. Respirei fundo, bebi água e meti-me no carro e cheguei bem ao destino. Entrei em casa e deitei-me. Passei a manhã e a tarde toda na cama, o meu ex-namorado só chegava às 18:00 do trabalho. Dormi a tarde toda mas a dor de cabeça não passava e o mau estar também não. Quando o meu ex-namorado regressou a casa e me encontrou naquele estado, reclamou comigo! Perguntou-me se eu tinha comido algo durante o dia, pois a minha resposta foi não. Ele lá me foi fazer umas toradas mistas, e obrigou-me a comer tudo! Foi dito e feito, a dor passou e comecei a ter energias. E ele só se ria de mim e a Vânia também, depois de ter contado aos pais dela.
E o tempo passou e as férias de natal (ou interrupção escolar) estavam a porta, regressei ao Minho, para passar as festas com a família. Com duas semanas de férias, o tempo não passava. E de dia para dia as mensagens dele estavam cada vez mais frias, até que as minhas mensagens já não tinham respostas. Não sei o que se passava, e começava a preocupar-me. Não sabia se ele estava bem, se estava mal, não tinha notícias dele. Deixei andar. E no dia 31 de Dezembro recebo uma mensagem dele a dizer que tinha algo para me dizer, mas que só me dizia quando voltasse a Covilhã. Não tive paciência e pedi-lhe para me contar o que se passava e o porquê de não me ter dito nada durante aquele tempo todo. Explicou-se e eu fiquei branco, ele estava com dúvidas. Eu não sabia o que responder. Calei-me e ele disse-me para eu ter calma, que quando eu regressasse a Covilhã, tudo ficaria resolvido. Certo é que tudo ficou resolvido naquele dia, e o meu ano terminou da pior forma. E começou da pior forma.
Dois dias depois estava de volta à Covilhã, até poderia ter seguido viagem para o Fundão, mas não me apeteceu. Era noite e estava frio, como era o costumo ele vinha-me buscar a estação. Ele veio, para falar comigo. Ele veio, para me entregar as minhas coisas que ficaram na casa dele. Ele veio, para ver se eu estava bem. Ele veio, para se explicar. Ele veio, para andar as voltas com o carro pela Covilhã. Ele veio, por vir.
Depois de ter dado a volta toda a Covilhã e ter escolhido o sítio mais alto da encosta com vista para a aldeia onde tudo começou. Fiquei mudo e surdo, simplesmente me concentrei com as luzes das aldeias que vinham da direção do Castelo de Sortelha. Enquanto ele se explicava eu olhava para o passado, para o presente e para o futuro. Quis esquecer tudo mas não consegui. Acabou por me lançar um pergunta estranha/parva, se eu era capaz de o perdoar, ao que eu respondi que sim feito parvo. Deu-me a mão e disse para eu ser forte. Ligou o motor do carro, e acendeu os médios, deu a volta ao carro, e seguiu para a minha residência, deixou-me a porta com a minha mala, com um saco de roupa e os meus livros. Senti-me sozinho e meio perdido por ter acabado.
E hoje sinto que sim, que o perdoei mesmo, porque não deixou de ser meu amigo.
Tinha saído às 7:00 de Braga com a Rede Expressos, e a minha chegada estava prevista para às 12:30. Durante a viagem enviei algumas mensagens, uma vez que o menino estava a trabalhar, não o quis atrapalhar. Era o último dia de trabalho em Coimbra, e ele à noite regressava ao Fundão pela N230, uma estrada cheia de curvas e muito perigosa.
Quando chego à Covilhã e sigo para a zona de táxis, aparece-me um homem de 30 anos (eu com 23), e vi que era o meu menino do Skype. Estava lá a minha espera. E eu não estava nada à espera dele. Mentiu-me! Tinha saído mais cedo do trabalho e pôs-se a caminho da Covilhã para estar comigo. Eu já tinha planeado o meu dia, para fazer o check-in na residência, arrumar o meu quarto e eventualmente estar com a menina Vânia. Que passa a vida inteira a dizer, para eu ir a Covilhã! Ainda hoje a conversa dela é a mesma. Voltando ao menino, pedi-lhe se me podia levar até as residências, para eu tratar da papelada e deixar lá a minha mala. E assim foi.
Fomos almoçar ao centro comercial e perguntou-me se eu tinha tempo para dar uma volta por Belmonte. Demos a volta por Belmonte, porque eu não consigo dizer não e gosto de passear. Conversamos todo o caminho e já ao fim da tarde ele deixou-me na residência.
Todos os dias ao fim das aulas ele vinha ter comigo, ora para conversar, ora para passear, ora para jantar fora. E com isto tive que começar a dar desculpas parvas a minha amiga Vânia. Pois ela gosta de estar comigo, gosta de falar, e gosta de fazer parvoíces! Então a minha desculpa foi dizer sempre que tinha o quarto para limpar, e está colou.
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| Monsanto |
No dia do meu aniversário o meu ex-namorado convidou-me para um lanche. E ele sabia que tinha a tarde livre, que gosto de passear, e que a Serra da Estrela e as Aldeias Históricas de Portugal são a minha paixão. A viagem até ao Castelo de Sortelha foi mágica e acolhedora. Ele estacionou o carro com vista para a Serra e a Covilhã. E assim fiquei a conhecer uma de muitas aldeias históricas, elas todas tem o seu encanto, mas está foi a que me marcou mais. Montamos a tenda para o lanche no meio do campo, com uma vista inesquecível. Quando o sol se põe atrás da Serra da Estrela, ele lembra-se de me roubar um beijo. Eu nem estava à espera de tal atitude (ou então não sei ler os sinais!), pois estava a aproveitar o momento de um nova amizade que tinha feito há mais de um mês. Fiquei sem jeito, sem reação, sem palavras e arrepiado. Com o avançar da noite em Sortelha só dava para ver as estrelas e estar aos beijos. Ele lá me questionou se queria passar a noite na casa dele.
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| Monsanto |
Chegamos a casa dele, e lá me esperava outra surpresa. Um jantar a luz das velas, tudo feito por ele na hora, eu só pude ver e aprender (eu que adoro cozinhar). Durante o jantar ele questionou o motivo de eu não beber vinho, e eu respondi que não gostava. Ao que ele me responde que com ele iria aprender a gostar de vinho e que iria ser o maior bêbado, isto num tom de brincadeira. E por lá continuamos a conversar e a jantar. Quando terminamos quis lavar a loiça, pois queria agradecer-lhe, e eu achei por bem também ajudar. Mas ele não me deixou, ajoelhou-se e pediu-me para deixar a loiça onde estava, pois ele tinha algo mais importante para fazer, do que estar a arrumar a loiça. Pedi-lhe para ele se por de pé, que não tinha que estar de joelhos, mas ele lá insistiu e prendeu o burro. Mal eu sabia que ele me iria pedir em namoro.
O tempo passou e com o pedido de namoro, mudei-me para o Fundão. Diariamente tinha 36 km a fazer entre o Fundão e a Covilhã, contudo os horários de transportes públicos não eram muito compatíveis com os meus! Ora tinha que acordar muito cedo, ora tinha que esperar horas pelo autocarro ou comboio. E muitas das vezes o meu ex-namorado tinha que me buscar a Covilhã. Como ele não usava o carro durante a semana, decidiu que eu o podia usar, e assim já teria a minha vida mais facilitada, e ele não me tinha que vir buscar sempre. Contudo eu impus uma condição, em que eu ajudava a pagar o gasóleo e os gastos do mesmo. As vezes ele enchia o depósito de prepósito, principalmente quando eu ia de fim-de-semana ao norte. Com as propinas e a residência (mantive o meu quarto, caso a relação não desse certo) a pagar, ele não me deixava pagar os gastos de casa. Então como ele não me deixava pagar, resolvi ajuda-lo nas tarefas domesticas, excepto cozinhar pois esse não é o meu ponto forte. O carro também esteve incluído nas minhas limpezas, todas as semanas o carro tomava banho, e uma vez por mês era limpo por dentro. Tenho imensas saudades do carro!
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| Castelo Melhor |
Com o tempo a minha amiga começou a desconfiar das minhas limpezas de quarto, o meu atraso a Universidade (eu que sou muito pontual), só faltava mesmo apanha-lha num cruzamento, rotunda ou passagem de peões, como chegou a acontecer imensas vezes. A minha sorte é que ela é cega, pois nas aulas só conseguia copiar as coisas do meu caderno. E com isto já não me sentia bem, estar-lhe a esconder o que se passava comigo. Decidi contar-lhe o que se passava, e o porquê da minha ausência ao fim das aulas. Assumi-me e ela ficou muito contente, por eu lhe ter confiado algo que só a mim me diz respeito. A partir daí a nossa relação de amizade fortaleceu-se imenso. E eu já não me ausentava tanto dela.
Os dias iam passando e cada vez estava mais apaixonado pelo meu ex-namorado. Comecei a beber vinho coisa que eu não gostava. Comecei a sair a noite coisa que eu não dou muita importância porque gosto estar mais em casa. Comecei a comer Sushi coisa que eu evitava há imenso tempo por ter medo de provar. E com isto também começaram as primeiras discussões porque eu sou teimoso e ciumento. Contudo acabava por dar sempre o braço a torcer. Mas odiava ouvir o telemóvel a tocar constantemente, quando ele recebia mensagens. E não, não era do trabalho!
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| Souto da Casa |
Os fim-de-semanas e os feriados eram passados a viajar e a conhecer locais novos com o nosso novo hobby, o Geocaching. Tornou-se um vício para nós andarmos a procura de caixinhas com o GPS, pelo meio dos montes, das aldeias, das vilas e das cidades. E depressa passei este vício a minha amiga e respectivos colegas de curso. Mas alguns deles não entenderam o objectivo. E transformaram o Geocaching numa batalha, de quem consegue encontrar mais caixas.
Lembro-me de um dia ter telefonado bêbado para a Vânia, comecei-me a rir imenso que já não conseguia falar e passei o telemóvel ao meu ex-namorado. Ele lá lhe explicou o meu estado. E tudo por culpa de um desafio parvo que eu aceitei. Durante o jantar bebi uma garrafa de vinho branco, e como não chegava, a sobremesa ele serviu-me um copo cheio de vinho do Porto. Depois de ter entregado o meu telemóvel, sei que cai na cama a rir-me feito maluco e o meu ex-namorado a dizer para eu não fazer barulho por causa dos vizinhos. Acabei por adormecer, pois não estava a aguentar.
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| Souto da Casa |
No dia a seguir acordei com um mau estar, com imensa sede, e com uma dor de cabeça enorme. O pior estava para vir, pois tinha aulas de manhã e não queria faltar. Arranjei-me e disse que estava tudo bem comigo. Segui o meu caminho até a Covilhã de carro, nem sei como, acho que foi mais o carro a guiar-me. Sentia-me tão mal. Foi ao bar da universidade para tomar o pequeno-almoço, mas a única coisa que consegui comer/beber foi água. Às 9:00 entramos para a sala, a Vânia só se ria com o meu estado, e eu só me queixava que não estava bem. E passamos a aula toda nisto, ela a rir-se e eu a reclamar. Saímos da primeira aula teórica para entramos na segunda e última aula do dia. Não aguentei e desisti, disse a Vânia que ia para casa e que ia faltar. Não tinha cabeça nem forças para estar lá, mas também não tinha forças para regressar ao Fundão naquele estado. Podia ter ficado na residência, mas eu fui teimoso, e segui para o Fundão. Respirei fundo, bebi água e meti-me no carro e cheguei bem ao destino. Entrei em casa e deitei-me. Passei a manhã e a tarde toda na cama, o meu ex-namorado só chegava às 18:00 do trabalho. Dormi a tarde toda mas a dor de cabeça não passava e o mau estar também não. Quando o meu ex-namorado regressou a casa e me encontrou naquele estado, reclamou comigo! Perguntou-me se eu tinha comido algo durante o dia, pois a minha resposta foi não. Ele lá me foi fazer umas toradas mistas, e obrigou-me a comer tudo! Foi dito e feito, a dor passou e comecei a ter energias. E ele só se ria de mim e a Vânia também, depois de ter contado aos pais dela.
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| Sortelha - Cabeça da Velha |
E o tempo passou e as férias de natal (ou interrupção escolar) estavam a porta, regressei ao Minho, para passar as festas com a família. Com duas semanas de férias, o tempo não passava. E de dia para dia as mensagens dele estavam cada vez mais frias, até que as minhas mensagens já não tinham respostas. Não sei o que se passava, e começava a preocupar-me. Não sabia se ele estava bem, se estava mal, não tinha notícias dele. Deixei andar. E no dia 31 de Dezembro recebo uma mensagem dele a dizer que tinha algo para me dizer, mas que só me dizia quando voltasse a Covilhã. Não tive paciência e pedi-lhe para me contar o que se passava e o porquê de não me ter dito nada durante aquele tempo todo. Explicou-se e eu fiquei branco, ele estava com dúvidas. Eu não sabia o que responder. Calei-me e ele disse-me para eu ter calma, que quando eu regressasse a Covilhã, tudo ficaria resolvido. Certo é que tudo ficou resolvido naquele dia, e o meu ano terminou da pior forma. E começou da pior forma.
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| Barroco do Leão - Geocaching |
Dois dias depois estava de volta à Covilhã, até poderia ter seguido viagem para o Fundão, mas não me apeteceu. Era noite e estava frio, como era o costumo ele vinha-me buscar a estação. Ele veio, para falar comigo. Ele veio, para me entregar as minhas coisas que ficaram na casa dele. Ele veio, para ver se eu estava bem. Ele veio, para se explicar. Ele veio, para andar as voltas com o carro pela Covilhã. Ele veio, por vir.
Depois de ter dado a volta toda a Covilhã e ter escolhido o sítio mais alto da encosta com vista para a aldeia onde tudo começou. Fiquei mudo e surdo, simplesmente me concentrei com as luzes das aldeias que vinham da direção do Castelo de Sortelha. Enquanto ele se explicava eu olhava para o passado, para o presente e para o futuro. Quis esquecer tudo mas não consegui. Acabou por me lançar um pergunta estranha/parva, se eu era capaz de o perdoar, ao que eu respondi que sim feito parvo. Deu-me a mão e disse para eu ser forte. Ligou o motor do carro, e acendeu os médios, deu a volta ao carro, e seguiu para a minha residência, deixou-me a porta com a minha mala, com um saco de roupa e os meus livros. Senti-me sozinho e meio perdido por ter acabado.
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| Serra da Estrela |
E hoje sinto que sim, que o perdoei mesmo, porque não deixou de ser meu amigo.
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